camaleaum

:::somos mutantes porque somos humanos:::

20.10.05

Alguém precisa me ensinar, porque sozinha eu nao entendo...

Noite longa... mais uma vez eu fiquei na empresa por conta de um vídeo.
Acho que nao sei o que eu quero aqui. Primeiro porque realmente me sinto limitada e incapaz de tocar esse setor. Segundo porque eu realmente queria ser Designer e não chego nem aos pés de um desenhista de garoto-cabeção... e, por fim, porque eu realmente nao entendo essa empresa.
Pelo que entendi as pessoas aqui querem todas te ferrar... mas por que? Se eu nao existir, ou eles vao ter que arranjar tempo pra fazer o meu trabalho ou vão contratar outra pessoa pra fazê-lo. Fica muito mais fácil me manter, nao acham?
Outra coisa: tenho que me fingir de boba-alegre... do tipo que ri o tempo todo, sabe? Que não sente raiva, nao se entristece, nao fica cansada, nao tem cólica... essas coisas. Quanto mais boba e quanto mais pessoas me virem, melhor!
Mais uma: puxa-saco. É uma boa (sem exageros, é verdade), mas aqui rola de boa. Acho que faz parte do pacote.
Enfim, eu sei que tenho sido muito fechada, calada, singular... mas omissa eu nao sou! Mas quando amanhecer (são 4:39 am) a Anna que vai estar aqui nao vai remeter a lembrança alguma da que eu sou.
Pode apostar.
Eu sei fingir. Nao gosto, mas sei. Tanto que quase convenço a mim mesma.
E se um dia eu descobrir o que eu quero aqui, bom, aí nao vai mais fazer diferença.

15.10.05

Saudades

Minha avó tinha cabelos negros e cacheados. Pele cor de mogno e sorriso de marfim.
Lembro de quando era pequena e corria para me enconder do chinelo de minha mãe, entre as pernas de minha avó. Ela jamais permitiu que mamãe nos punisse, fosse qual fosse nosso delito.
Havia tanta magia naquele jeito singelo de mexer o chá na xícara, ou de simplesmente fazer tricô.
Óculos na ponta do nariz, concentração... silêncio. E lá ia ela, tecer longos chales, delicadas roupas de bebê, quentinhas mantas.
Acho que vovó era meio bruxa... Ela sabia das coisas... coisas que nao dizia para ela. Mas ela sabia. Assim como, quando eu me sentava entre suas pernas para que ela penteasse meus longos cabelos e ela prendia minha franja em dois delicados grampos de florzinha e eu dizia "Não gosto. Não quero que vejam essa pinta!" e ela sorria e me dizia: "Deus te marcou bem na testa, pra nunca, nunca te perder de vista. Isso é motivo de orgulho, porque entre todas as meninas, você tem uma estrela na testa."
Eu tenho mesmo... uma estrela na testa. Bem no centro. E hoje, diferente de quando era uma menininha, adoro mostrá-la.
Só tem uma coisa que eu gostaria de saber sobre essa estrela: Será mesmo que Deus não me perdeu de vista?
Ás vezes sinto falta de minha avó e suas histórias místicas sobre os motivos que nos faz passar por coisas boas e más.
Tô sentindo falta dela agora.
Dos chales, do perfume do chá, dos cachos negros de minha avó...