camaleaum

:::somos mutantes porque somos humanos:::

14.1.05

17/01/2005 - O dia D. (desabafo)

Pois é... na segunda-feira que vem vou refazer os exames pra ver se o nódulo sumiu ou não... a verdade é que ele ainda está lá, de modo que eu nao preciso de exames pra saber se ele sumiu...
Eu fico nessa agonia o tempo que eles (os médicos) acharem que devo.
Enquanto isso, os dias me apavoram.
Pela demora. Pela dor. Pelo aspecto estranho que tem tomado meu mamilo. Pelo tamanho diferente de uma mama pra outra... por tudo o que leio na internet.
Encontrei tantas notícias ruins que eu desisti de me informar.
Nao quero ouvir histórias tristes.

Ás vezes eu queria pôr tudo isso pra fora. Essa confusão, esse medo, essas idéias doentias de que vai dar tudo errado e eu vou adoecer. E se eu adoecer, quem vai cuidar de mim?
Mas isso acontece num instante e dura 1, 2 horas... e quando tudo aperta mais e mais, e o desejo de compartilhar com alguém, e ouvir algo como "vai dar tudo certo", não há ninguém do outro lado. Ou, ninguém disposto.
Todos têm seus problemas. Todos os problemas são grandes. Cada um de nós julga que nossos problemas são maiores. E potencializamos o real tamanho deles.
Mas eu nao digo isso.
Jamais seria grossa em dizer pra alguém a quem tenho amizade, que seu problema é minúsculo, ou menor do que essa pessoa imagina. E que a solução é bem simples, ou não tão complexa.
Eu apenas ouço.
Se me pedem conselhos, eu os dou. Bem diplomática digo que "vai dar tudo certo", e trato de encurtar a conversa.
Depois, sozinha, eu choro.
Choro e blasfemo minha sorte. Como se houvessem culpados, ou como se tudo já estivesse confirmado.
Choro porque eu precisava falar. Precisava chorar no ombro de alguém, desabafar meu medo, minha dúvida, minhas coiss bobas... mas em vez disso, eu apenas me calei e ouvi os problemas dos outros. E fui pra essas pessoas o que eu mesma buscava nelas.

É a primeira vez que falo disso assim, tão publicamente. A verdade é que nem sei se alguém vai ver isso. Eu só quero esvaziar essa coisa ruim que tá aqui, dentro de mim, e quem sabe se eu contar pra alguém, eu me sinta mais leve. Mais confiante. Mesmo que a pessoa que leia nao esteja entre meus "melhores amigos". Mesmo que nem me conheça. Mesmo que não se importe.

Eu rezo pra que tudo isso não passe de uma crise de frescura, como eu mesma digo á todos. Eu não quero parecer frágil diante dos que me amam. Muito menos parecer uma louca-pessimista-fatalista... mas eu juro que estou morrendo de medo.