camaleaum

:::somos mutantes porque somos humanos:::

31.1.05

Chateação

Não dá pra entender porque as pessoas que dizem gostar de você só te julgam.
Eu sempre me achei muito aberta com relação á isso. Quando um amigo disse que nao suportava mais a ex-mulher, eu nao mandei ele cozinhá-la, mas pedi pra ele ter paciência. Divórcios são complicados.
Uma amiga se interessou por outro cara quando ainda namorava o ex, e não conseguia mais se controlar. Ao invés de criticá-la porque ela jurava que o namorado era o homem de sua vida e agora tava se derrentendo por outro, eu a aconselhei a dar um tempo no namoro, ver se era só atração, tédio ou paixão de verdade pelo novo cara.
Outro me termina o namoro de 10 anos pra viver uma aventura e foi chifrado pela atual. Agora chora pela ex que não o quer de volta. Eu nao o chamei de imbecil (apesar de achar que ele realmente foi um ao terminar assim, do nada, um relacionamento de dez anos), apenas disse pra ele ser paciente e rever seus passos. É importante saber que erramos e entender se merecemos ou nao o perdão.
Na hora em que precisei, quando soube do nódulo, quando recebi a confirmação do tumor, quando minha tia faleceu, nao teve um único amigo desses pra vir aqui me dar um ombro, ou fazer um réles telefonema de pêsames... Ninguém veio dizer que sentia muito, ou simplesmente falar que 'as coisas vão acabar bem'... eles nem sabem! E nem se importam. Se a vida deles está nos eixos, pra que arranjar dor de cabeça com o problema dos outros?
Claro que nao!
Então por que diabos eles insistem em querem mudar minha vida e julgar minhas atitudes se nao estão comigo quando eu preciso mesmo do seu julgamento e dos seus palpites?

27.1.05

Norah Jones

Quem me apresentou essa voz foi a Juju (Pingo). Lembro dela ter colocado a música "Come Away with me" e me perguntando: Quem tá cantando?
Busquei na minha memória aquela voz, e por eliminação cheguei á Aretha Franklin.
- "Norah Jones" - disse ela;
Eu adorei.
É a voz de um anjo.
Sempre me deixa mais leve, mais tranquila...
Mas nao tenho mesmo coragem de pagar R$50,00 num CD da moça e muito menos comprar um piratão mal-gravado em qualquer banquinha. Pra piorar, as rádios não costumam tocar Norah Jones. A solução é ouvir a Diva pelas rádios virtuais, como esotu fazendo agora.
Que pena vocês nao poderem ouvir também.

::Come away with me::

Come away with me in the night
Come away with me
And I will write you a song

Come away with me on a bus
Come away where they can’t tempt us
With their lies

I wanna walk with you
On a cloudy day
In fields where the yellow grass grows knee-high
So won’t you try to come

Come away with me and we’ll kiss
On a mountain top
Come away with me
And I’ll never stop loving you

And I wanna wake up with the rain
Falling on a tin roof
While I’m safe there in your arms
So all I ask is for you
To come away with me in the night
Come away with me

24.1.05

A vida é tão rara...

Por 75 dias a única irmã de meu pai (e minha madrinha) esteve numa UTI.
Os olhos dela se fecharam na sexta-feira, dia 21.
Na minha crença, a vida não acaba quando nossos olhos se fecham, porque nosso espírito é eterno, mutável e criado para um único propósito: perfeição.
A perfeição virá de muito trabalho, em muitas vidas.
O Senhor disse que "aquele que crê em mim, ainda que esteja morto viverá", eu eu creio nessa verdade. Por isso, não usarei o termo "morte".
Ela nao morreu.
Vai levar um tempo até que nós, que ainda estamos nesse mundo, compreendamos essa partida.
Toda despedida dói. Eu lembro ter chorado horrores quando meu pai fez sua primeira viagem longa, há uns dez anos. E até hoje, todas as vezes que ele sai de casa, o coração fica pequenino, mesmo sabendo que ele vai voltar. Imagine, então, como fica o coração quando a gente sabe que quem a gente ama nao voltará.
Eu creio que agora ela está num lugar de cura, onde todas as suas dores serão tratadas, até que seu espírito esteja forte o bastante pra recomeçar.
O espiritismo explica muita coisa da morte, da vida, desse circulo sem fim, mas duvido que haja religião no mundo que explique a saudade.

21.1.05

HOJE...

Saiu o resultado.
Eu sei que nao entendo "mediquês", mas fui logo abrindo. Tomei como ponto de partida a possibilidade de que se houvesse algo estaria destacado com outra cor, outra fonte, enfim, estaria em evidência.
Nada.
O resultado é todo em tinta preta e fonte courier.
Eu tenho um nódulo isoecogenico, podendo sugerir ilhotas do tecido glandular.
Grande coisa...
Alguém aí sabe o que é isso?

17.1.05

Ninguém

Quando cheguei havia uma fila imensa de mulheres. Pensei comigo "nao devem estar aqui pelo mesmo motivo que eu" e realmente nao estavam. Acontece que uma das máquinas de ultrassom havia quebrado, restando apenas uma. Todas as pacientes foram encaminhadas para o mesmo médico (o meu!!).
Uma espera de 2 horas e enfim me chamaram.
A enfermeira - como sempre - explica o procedimento. Pede que eu me dispa e deite com os braços atrás da cabeça.
O médico passa aquele gel frio e começa a circular a mama. Ele aperta em vários pontos, o que dói bastante. Penso que ele é um idiota que nunca teve seio e por isso fica judiando de quem tem. Viadinho!
Mas nao era esse o motivo.
Ele encontrou algo.
E pela cara que fez quando lhe perguntei se estava tudo bem, era algo ruim.
Depois eu entrei no lavabo. Me limpei daquela gosma e me vesti. Voltei á sala dele e perguntei denovo - numa esperança idiota de que fosse ouvir algo como "tudo bem".
Ele nem me olhou. Colocou a caneta que usava pra escrever qualquer coisa no meu prontuário sobre o papel, tirou o óculos e esfregando o indicador e polegar sobre os olhos disse, simplesmente:
- Seu exame fica pronto na sexta.
Eu nao insisti.
Saí daquela sala e passei por todas aquelas mulheres, sem olhar para nenhuma delas. Desci as escadas, atravessei a avenida, entrei no ônibus e sentei no fundo.
Chorei.
Nao há pra quem contar. O telefone está sem bateria. Encontro alguém no MSN, mas está arrasado com uma tragédia no trabalho. Outra pessoa está felicíssima com a conquista de um novo emprego e me convida pra comemorar na sexta.
- Claro! - respondo, automaticamente.
Sexta pode ser um bom dia pra comemorar - penso em silêncio.
Ou nao.
Tento, pela oitava vez o celular do namorado.
Caixa postal.
Ligo em casa: secretária eletrõnica.
Ninguém.
Não há ninguém em qualquer lugar pra ouvir meu medo, meu desespero;
Absolutamente ninguém.
Eu só queria, por um único dia, ter alguém ao meu lado em quem eu confie, que me olhe nos olhos e diga que nem tudo vai dar certo, mas que vai me ajudar a fazer com que fique o melhor possível.

14.1.05

17/01/2005 - O dia D. (desabafo)

Pois é... na segunda-feira que vem vou refazer os exames pra ver se o nódulo sumiu ou não... a verdade é que ele ainda está lá, de modo que eu nao preciso de exames pra saber se ele sumiu...
Eu fico nessa agonia o tempo que eles (os médicos) acharem que devo.
Enquanto isso, os dias me apavoram.
Pela demora. Pela dor. Pelo aspecto estranho que tem tomado meu mamilo. Pelo tamanho diferente de uma mama pra outra... por tudo o que leio na internet.
Encontrei tantas notícias ruins que eu desisti de me informar.
Nao quero ouvir histórias tristes.

Ás vezes eu queria pôr tudo isso pra fora. Essa confusão, esse medo, essas idéias doentias de que vai dar tudo errado e eu vou adoecer. E se eu adoecer, quem vai cuidar de mim?
Mas isso acontece num instante e dura 1, 2 horas... e quando tudo aperta mais e mais, e o desejo de compartilhar com alguém, e ouvir algo como "vai dar tudo certo", não há ninguém do outro lado. Ou, ninguém disposto.
Todos têm seus problemas. Todos os problemas são grandes. Cada um de nós julga que nossos problemas são maiores. E potencializamos o real tamanho deles.
Mas eu nao digo isso.
Jamais seria grossa em dizer pra alguém a quem tenho amizade, que seu problema é minúsculo, ou menor do que essa pessoa imagina. E que a solução é bem simples, ou não tão complexa.
Eu apenas ouço.
Se me pedem conselhos, eu os dou. Bem diplomática digo que "vai dar tudo certo", e trato de encurtar a conversa.
Depois, sozinha, eu choro.
Choro e blasfemo minha sorte. Como se houvessem culpados, ou como se tudo já estivesse confirmado.
Choro porque eu precisava falar. Precisava chorar no ombro de alguém, desabafar meu medo, minha dúvida, minhas coiss bobas... mas em vez disso, eu apenas me calei e ouvi os problemas dos outros. E fui pra essas pessoas o que eu mesma buscava nelas.

É a primeira vez que falo disso assim, tão publicamente. A verdade é que nem sei se alguém vai ver isso. Eu só quero esvaziar essa coisa ruim que tá aqui, dentro de mim, e quem sabe se eu contar pra alguém, eu me sinta mais leve. Mais confiante. Mesmo que a pessoa que leia nao esteja entre meus "melhores amigos". Mesmo que nem me conheça. Mesmo que não se importe.

Eu rezo pra que tudo isso não passe de uma crise de frescura, como eu mesma digo á todos. Eu não quero parecer frágil diante dos que me amam. Muito menos parecer uma louca-pessimista-fatalista... mas eu juro que estou morrendo de medo.

13.1.05

promessas de ano novo

Este ano preparei uma lista de coisas pra eu fazer. Nada de dietas, malhação ou gastar o que não tenho num carro novo, em roupas de marca.
Preparei metas.
Desde as de cunho profissional (isso inclui mudar de profissão), até as mais deliciosas loucuras amorosas.
Decidi que, mesmo que não cumpra todos os itens da lista, ao menos 3 deles eu me esforçarei pra realizar.
A lista inclui telefonar pra algumas pessoas com quem jamais conversei pessoalmente, mas que de algum modo vieram parar na minha vida e já fazem parte dela. Amigos como Tarciso e Marcelo estão incluídos.
Também vou me policiar pra ligar pros amigos velhos, que há tanto (e nao sei por que) não tenho conversado. Cunhados, Táta (NYC), Nalvinha, Juju, Camilaum e Danilo são os primeiros da lista.
Enviarei e-mails pra velhos amigos, que um dia foram essenciais pra algumas decisões (Marchioro, Cassio e Markinhos)
Ah, mais isso tudo faz parte de um único item da lista!
Vou aprender uma linguagem de programação (nunca fiz por preguiça, mas agora tenho sentido necessidade; Além disso, outras coisinhas pra eu me divertir, como testar alguns softwares e brincar com linux fazem parte do meu tec-objetivo;
Quero viajar! A começar pelo Chile - lugar mágico! E se der ($$$) a Argentina entra na roda. Dentro do Brasil, só tem 1 lugar onde eu quero ir, mas ainda nao esse ano.
Quero comprar pelo menos 1 livro por trimestre.
Conhecer pelo menos 1 bairro por mês da minha cidade (moro em SP há mais de 20 anso e mal conheço a Zona Sul!!);
Quero conhecer uma ONG por dentro. Visitar um asilo. Tentar levar ânimo pras crianças do GRAAC... fazer o bem.
Quero fazer Tai-Chi e talvez voltar ao balé (eu odiava, mas tinha 9 anos, pelamordedeus, né!!!)
E, o mais importante: nao deixar o mau-humor das pessoas me influenciar.